C'est la vie

Internauta ativista (ou viciada)

Eu nunca abro minha boca nas aulas de “Marketing Pessoal” porque na primeira aula a professora disse que “imagem que os outros têm de nós é muito importante”, mas isso vou deixar para meu outro texto “Como ser assustadora, simples, seja como eu”, o fato é que eu abri uma exceção quando o assunto da aula se voltou para a escrita. “A nossa geração perdeu o hábito da leitura por causa da internet” disse ela, e depois de milênios sentada na cadeira do cantinho da sala sem dizer palavras além de “Sim/Não/presente/É-AndreZA-com-Z” eu resolvi erguer minha mão lutando contra mim mesma e tendo certeza absoluta de que ficaria tremendo pela exposição por pelo menos sete minutos depois da primeira frase, eu disse “Penso que a internet até auxilia, pois tem livros online e sites de fanfictions”  Ela fingiu concordar e logo “Quem fica muito em redes sociais começa a escrever abreviado e perde um pouco a capacidade de se expressar”,  obviamente minha mão voou e balançou, discordei novamente, usando o Nyah, o Tumblr, o DeviantArt e o Youtube como argumentos (?), e discordando, discordando, às vezes mentalmente, outras vezes em uma voz alta o suficiente para dar uma palestra, eu me percebi uma grande chata de galocha que nunca usou galocha.  Assim como eu considero chatas as garotas do FEMEM/ Фемен apesar de alguns seios expostos não serem nem um pouco chatos \o/ ou os caras chatíssimos do HOMMEN apesar de concordar que as mulheres não devem trabalhar na TPM, aliás, não devem trabalhar nunca! Assim como eu acho fãs malucos chatos, haters chatos, e ativistas extremistas de qualquer maneira chatos, porque ativistas raramente são ativos, eles são além, eles são “Tiro minha camisa e pinto minha barriga mesmo sabendo que vou aparecer nos jornais com matérias que, além de discordar de mim, ainda vão me ridicularizar como todo o meu grupinho” ou então são “Ele é lindo, não é gay, se você falar isso de novo eu vou bater em você, depois eu vou chorar e bater em mim mesma” Ativistas seriam mais legais se fossem como minha ex-namorada e se batessem contra a parede.

A verdade é que a minha professora tinha razão, e ela nunca saberá que eu admiti isso Shhhh! Segredo, apesar de eu ter meu orgulho passado em um triturador, jogado na sarjeta, pisado e cuspido preciso desabafar: meu fanatismo é ridículo e a internet está me estragando eu deveria estar me sentindo melhor agora DEVERIA.

Se eu pudesse passaria minha vida inteira deitada na cama com o computador no colo, nem me importaria com meus músculos se tornando gelatina. Eu consigo fazer quase tudo pelo computador isso exclui as necessidades físicas ele me supre psicologicamente.  Lá eu faço meus amigos, meus inimigos, mantenho alguns amigos de fora da cidade, aprendo uma coisa nova a cada dia, arranjo assuntos, alimento meus ciúmes/ego isso depende de em que perfis de facebook eu entro, descubro músicas novas, mato saudade de músicas velhas, assisto séries/filmes/animes, leio livros, vejo coisas engraçadas e acabo com minha cota de riso diária, eu até desenho pelo computador (exemplo 1, exemplo 2, exemplo 3), escrevo, leio, xingo, elogio, e na falta do que fazer, até entro no meu perfil do ‘beautifilpeople’ e checo quantos caras “Hmmm, dá pro gasto” enviaram “Blink” para mim e de que países eles são apesar de eu nunca ~never~ retribuir.

Toda vez em que meus pais me desligam da internet , (seja me chamando para cuidar da minha irmã, comer, me chamar para ver algum coisa interessante na televisão que na maioria das vezes é a Maria Gadú ou a Ana Carolina ou algum documentário sobre a vida da Cássia Eller, ou em últimos casos, algo sobre a Tammy Gretchen, me mandar dizer ‘oi para as visitas que não telefonaram previamente e não me deram a chance de me preparar psicologicamente para ser simpática, ou apenas para eu ir lá fora e produzir um pouco de vitamina D) eu tenho vontade de arrancar o couro deles e depois tirar uma foto para postar no facebook.  Isso quando meu coelho não acaba roendo os fios da internet/carregador-do-notebook, mas o couro dele já está prometido para pantufas, que também terão sua foto postada Yay \o/

 Mas agora com licença, enquanto eu escrevia esse texto (divino) a minha Dashboard do tumblr teve “+100” atualizações e eu preciso vê-las!

C’est La vie!

Um milhão de obrigadas (e nenhum presente)! \o/

Mãe, eu sei que você não vai chorar com esse texto, nem com outros 500 textos, nem se eu compusesse uma música, escrevesse um livro ou dirigisse um filme, mas vou escrever esperando que com alguma sorte você dê uma risadinha.

Eu queria agradecer por um milhão de coisas, mas acabei de esquecer de pelo menos metade delas, então vou agradecer por coisas aleatórias

Obrigada por me manter na sua barriga mesmo sabendo que seu corpo nunca mais seria o mesmo e obrigada por me parir, você é guerreira, eu não faria isso.

Muito obrigada por, quando eu era criança, você dizer “Pare de fazer essa cara, é feio” toda vez em que íamos tirar fotos e eu sorria com os dentes debaixo porque os de cima tinham caído. Era feio mesmo.

Muito obrigada por me deixar ficar correndo atrás da camareira quando viajamos de navio, apesar de ela falar inglês e a única palavra que eu sabia dizer nessa língua, na época, era turtle (tartaruga) Hoje eu também sei falar cat, dog, lion, pig…

Muito obrigada por me suportar quando você  “Pra que tanto rabicós? Use o cabelo solto”, enquanto eu “Meu cabelo solto é pior ainda, o meu cabelo é o pior cabelo do mundo, eu odeio a minha vida!” com  doze anos.

Muito obrigada por me deixar ter um monte de bichos e ainda me apoiar quando eu gazeei aula para comprar um coelho cinza, sociável e obeso e que pensa ser um cachorro.

Muito obrigada por me deixar pintar meu cabelo de ruivo, afinal é errando que se aprende e aquele foi um grande, GRANDE erro.

Muito obrigada por na época da novela America você me deixar dançar Funk na frente de casa e dançar comigo, qualquer outra mãe me mandaria para trás da casa.

Muito obrigada por dizer “Não chore meu anjinho” que mudou para “Porque você está chorando?” que hoje se parece com um “NÃO ADIANTA CHORAR!”

Obrigada por deixar uma tesoura dobrável na caixa de sapatos quando eu tinha três/quatro anos era um lugar bem fácil pra que eu pudesse achar e cortar todos os meus cachos durante a madrugada.

Muito obrigada por me suportar em 2010 onde ou eu estava dormindo ou eu estava chorando sem nunca me bater coisa que se eu fosse você teria feito.

Obrigada por me dar uma irmã babaca que eu odeio-amo-odeio-amo-odeio e sinto um pouco de medo sinto muito ciúmes.

Obrigada por me levar no circo e me comprar churros.

Obrigada por acabar de entrar no meu quarto e tirar toda a minha concentração…

Obrigada por me acordar mais de dez vezes, me convidar pra comer pelo menos cinco e me lembrar de pegar o casaco, não fosse isso agora eu seria um picolé de vinte kgs se estivesse viva.

Obrigada por “Nunca faz nada do que eu mando, mas agora vem dizer que me ama! Ontem quando eu pedi pra você ficar CINCO MINUTOS com a sua irmã… blá blá blá” No meio do almoço de família. Mãe, quando eu não faço algo que você manda, não quer dizer que eu não te amo, só quer dizer que você tem uma filha muito preguiçosa, e que essa filha vai continuar morando no lixão que ela chama de quarto e que a outra filha menos preguiçosa vai continuar brincando sozinha.

Obrigada por me ensinar que brigas que duram mais que dez minutos não fazem sentindo e que eu até posso ficar brava, mas que você vai estar ocupada demais dando banho/comida/carinho pra minha irmãzinha. Obrigada por suportar meus ciúmes! Yay \o/

E obrigada por “Deixe teu cabelo normal Andreza”  porque alguma parte de mim sabe que no futuro eu vou olhar as fotos de hoje e “Nossa cara, que vergonha de existir”.

Obrigada por me fazer, por me cuidar, por me educar, por nunca ter me batido (propositalmente), por ser tão engraçada (acidentalmente) e por dançar Ragatanga comigo! <3

Obrigada por tirar uma foto comigo testando (orelhando e narigando), te amo <3

E esse testão da foto textão maravilhosamente escrito é todo seu! <3

Interações acidentais

Pode adicionar falta de coordenação motora a minha lista de defeitos qualidades mais notáveis. Em um dos meus preciosos momentos “Não-fale-comigo-estou-com-fones-de-ouvido” eu consegui me enroscar em meus próprios fios e ver uma cordinha azul levar minha audição embora e, com ela, minha personalidade antissocial. Fiquei tão constrangida que olhei para a mulher ao lado e dei uma risada tão estranha que ela sentiu pena de mim e começou a conversar, só naquela risadinha descobri que a casa dela tem 14 degraus e ela tem um filho, e ela descobriu que eu sou sedentária e escadas imploram pra que eu enfarte.  Ela era legal. Eu fico pensando quantas pessoas legais eu deixei de conhecer por não arrancar involuntariamente meus fones de ouvido.

Não importa o quanto eu seja assustadora, minhas sobrancelhas sejam furiosas, ou eu pareça introvertida. Meu pé sempre tem uma vontade louca de chutar o calcanhar do outro pé, sempre vou desviar de um buraco e me ver caindo em um outro maior ainda e minhas mãos sempre vão puxar tudo abaixo,me obrigando a ficar constrangida e dar risadas estranhas para desconhecidos.

Em outro acidente do destino, puxando minha carteira para o cantinho da sala onde nenhum diálogo me alcançaria, tropecei no pé da cadeira que eu estava puxando e entre o “droga-tropecei” e o “parede-me-abrace” eu disse oi para uma desconhecida, ela se tornou uma conhecida e hoje ela passa os intervalos de aula comigo.

Outro acidente, talvez o pior de todos, eu estava voltando da faculdade em um sábado depois da aula de manhã, pelo parque central, por algum motivo oculto um cara lindo estava lá, e por motivos mais ocultos ainda, eu fiquei nervosa com a presença dele, por favor, gato. Sendo assim tentei desviar do caminho dele, mas tinha um ‘degrau’ entre o passeio e a pista de bicicleta e finalmente o lugar onde eu queria ir, que é a pista das caminhadinhas bem longe do boy, e eu nãos seria notada se não tivesse escorregado na graminha jogado minha bolsa pra cima e ainda dado um grito supersônico tenho um jeito superespecial de ser discreta yay \o/.

Por motivos ainda mais ocultos, o ser de quem eu estava fugindo veio me ajudar a levantar ????, com o coração na boca e 50 tons de vermelho na cara eu aceitei a ajuda dele porque ele era bonito, e até hoje eu não sei se fico feliz ou triste por não ter reencontrado a divina criatura por aí, mas acho que feliz, porque eu provavelmente ganharia mais um hematoma. Yay \o/

De qualquer forma, muito obrigada pé esquerdo, e muito obrigada pé esquerdo número dois. Amo vocês!

Síndrome da filha retardada

Minha mãe tem, mas não é uma síndrome, ela tem mesmo uma filha retardada. E pra falta de sorte dela, eu estou trazendo minha irmã junto comigo para a esquizofrenia as trevas.

 Eu sempre fui uma criança diferente da maioria, porque quando eu digo que sempre detestei crianças, eu quero mesmo dizer sempre e eu quero dizer também que as brincadeirinhas do pré-três eram bobas, e eu preferia a televisão, e que eu ao invés de brincar com meus coleguinhas preferia ficar em um cantinho com meu sanduíche de maionese com pepino (?) e meus amigos imaginários adolescentes também não sou muito fã de adultos.

Eu preferia o meu pai, que na minha cabeça não era nem nunca será adulto. Desde que eu me lembro meu pai e eu fazemos coisas como a dança do pelicano, assistimos e imitamos o super duper mega Power rower blaster pulo do tigrão e damos cambalhotas em camas alheias. Ele respeitou minha fase de fã de filmes de kung fu e até hoje quando eu abro a porta do meu quarto ele se prontifica de estar em posição de defesa. Às vezes ele fica mal humorado e o mau humor dele é bem parecido com o meu veneno saindo pelos poros, nesses momentos eu prefiro passar um tempo com a minha irmã.

Esse tempo normalmente dura cinco minutos, porque depois disso ela começa a querer me contar historinhas e/ou inventar coisas e eu considero isso irritante se não saírem de mim.

O problema é que eu tenho uma influencia bem grande sobre minha irmã, nós falamos a maior parte do tempo na linguagem do pipipipi pipipi pi pingu Pingu, temos síndrome de Felícia com meu coelho e ela está começando a fazer elogios típicos meus.

Por exemplo: Esses dias eu estava linda glamourosa luxuosa e diva, tirando um cochilo no sofá da sala e acordei com aquela coisa que deveria ser minha irmã me encarando e mexendo nas minhas orelhas, então ela disse “Suas orelhas são tão molinhas que dá vontade de arrancar pra fazer um chaveiro”, parei por dois segundos pra decidir se ficava orgulhosa ou apavorada, fiquei orgulhosa muito orgulhosa, super orgulhosa, tão orgulhosa, tão orgulhosa daquele pedacinho de gente que eu tuitei a frase pra não esquecer jamais.

Eu estou sempre falando esse tipo de coisas pra ela, porque ela é fofa, e realmente dá vontade de amassá-la, quebrá-la, recortá-la e guardá-la pra sempre, enquanto ela não fica comprida estranha e cheia de espinhas igual a mim.

Outra coisa que eu faço com frequência é falar sozinha, minhas conversas com amigos imaginários nunca são amigáveis e normalmente tenho uma arma imaginária apontada para eles. Esses dias eu estava observando a esquizofrenia da minha irmã e DO NADA ela se jogou no chão, olhou pra trás e com cara de diva e só uma sobrancelha arqueada  disse ‘não é assim que se trata uma dama’ , eu quero dizer, o amigo imaginário BATE nela!

Eu estou preocupada com ela e com as minhas orelhas, mas não vou falar isso para minha mãe, pelo menos enquanto eu tiver orelhas.  Ela vai sofrer Bullying, eu vou ter que ir na escola dela e a diretora vai olhar pra mim, lembrar do tempo em que eu estudava lá e chorava todo dia por problemas e desavenças imaginárias, e vai pensar que está tudo explicado.

Isso me lembra a segunda série, eu sofria Bullying, mas esse termo ainda não existia então a humilhação corria solta e eu tinha até meu próprio jingle, então nunca deem um nome que termina com ‘Za’ para a filha de vocês, porque nunca, jamais vão rimar com princesa, nobreza, realeza. Talvez com pobreza.  Ou com LESMA! Porque para os acéfalos que estudavam comigo essa rima era muito boa.

É até bom que minha irmã estude e sofra bulliyng, assim podemos processar algumas famílias por danos morais e viver bem com o dinheiro dos processos posteriormente, eu chamaria de ‘aposentadoria improvisada’, ou então podemos ser processados/presos se minha irmã tiver uma tesoura sem ponta e os coleguinhas dela tiverem orelhas muito macias. Yay \o/

Ironia saindo pelos poros

As pessoas às vezes, tem a grande ideia de usar ironias comigo, o problema é que nem sempre eu entendo nunca entendo e nem sempre nunca eu me ofendo na hora. Mas se, por um acaso do destino, depois de um milhão de outras conversas/encontros/twites, eu entender a tal ironia, eu vou ficar com vontade de envenenar a pessoa com 75 gramas de noz moscada. Yay \o/

Eu estava me afundando em tédio na internet, mudando de um site para outro, de uma rede social para a outra, quando de repente eu resolvi olhar TOOOODAS as mentions que eu recebi na vida, por muita falta de sorte estava lá a mention de um rapazinho que deveria ser meu amigo, mas que me mandou ir às favas KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK IR ÀS FAVAS simpaticamente camuflado em ironia.

Pra eu entender uma ironia eu tenho que olhar pra pessoa, pelo menos olhar pra pessoa, pra ver se o sorriso dela ri comigo ou ri de mim, depois disso eu tenho que notar a ironia na voz da tal pessoa, tenho que me sentir patética e dar algum tipo de resposta física, exemplo,  exemplo2 ou o mais utilizado  exemplo-triunfal.

Eu estou realmente com muita vontade de furar os tímpanos dele com minha caneta esferográfica, mas vou ficar calada porque já tenho 18 e não quero ir presa, aliás, o pior mal que eu posso fazer ao mundo é ficar calada, o que consequentemente faz mais bem do que mal, o que consequentemente me deixa mais chateada e consequentemente mais calada.

O fato é que, eu posso ficar muito, muito braba com coisas minúsculas e totalmente superáveis, como a minha tia ter atropelado e matado uma minhoquinha, o amiguinho da minha irmã ter  mania feia de querer bater nas minhas cadelas, a mania feia que as minhas cadelas tem de achar que todo mundo é bonzinho. E coisas bem mais sérias como alguém dizer que todo o meu sofrimento, dor, lágrimas, melancolias, fanfics, músicas, hematomas, gritos, maquiagem borrada, depressão, saudade, tristeza é drama. E pior, dizer isso de uma forma irônica.

Eu não sei quem foi que inventou esse boato de que eu sou dramática, EU!? Eu não sou nada dramática, sequer sei o que é drama. Tá, talvez eu esteja sendo um pouco irônica, e dramática, e irônica, e dramática, e dramática.

Menstorturação

Já tomou pastilhas efervescentes? O copo com água é como as garotas são durante (mais ou menos provavelmente menos que) três semanas de cada mês, colocando a pastilha no copo se tem um bom exemplo de como ela é na semana que sobrou pelo menos quando ela sou eu. 
Então se eu ela  disser que vou vai  arrancar parte do seu sistema nervoso usando um alicate de tirar cutícula, corra antes que eu ela encontre a ‘terrível arma’ entre milhões de outras quinquilharias dentro da bolsa dependendo do tamanho da bolsa você terá dias de vantagem.

Então em um belo dia de qualquer mês eu estava sendo ‘menstorturada’. Parecia que um bebê alienígena estava comendo meu útero de dentro pra fora, eu estava com um ruga tão funda na testa que alguém poderia morar lá dentro e de quebra lançava todos os sinais repelentes de humanos que eu conheço cara de Supervilã dos quadrinhos, roupas de delinquente/mendiga, fones de ouvido, superconcentração em rabiscos na carteira e longos suspiros reprovativos quando alguém tentava aproximação, mas como tem gente que gosta de sofrer, uma senhorita resolveu que era um bom dia para fazer amizade e sentou ao meu lado, infelizmente ela tinha um namorado, infelizmente ela estava feliz com o namorado, infelizmente ela estava esfregando a felicidade dela na minha cara, infelizmente eu estava desejando que ela fosse pisoteada por uma manada de zebras. Yay \o/

Sendo assim, tentei deixar a ruga da minha testa ainda mais funda pra que se tornasse um buraco negro e aquela senhorita-superfeliz fosse engolida pra nunca vai ver o boy-magia dela, sim, isso se chama inveja. Peguei o celular e mesmo quase chorando por gastar cinquenta centavos isso não é efeito da semana em que eu estava, cinquenta centavos são valiosíssimos o mês inteiro.

Entrei no facebook ignorando o fato de que estava sensível/carente/apaixonável/sensível/apaixonável/muito apaixonável mesmo. Foi quando TANÃM: “O cara babaca e nada atraente por quem você foi apaixonada na quarta série cutucou você “.

 Nesses dias os caras me dizem ‘oi’ e eu escuto ‘eu te amo’, nem vou comentar como uma cutucada no facebook fez eu me sentir…

Cutuquei de volta… PRA QUÊEEE????? PRA QUÊ? Nunca vou ter a resposta pra essa pergunta. Por motivos ainda mais ocultos ficamos ‘nessa de cutucar’ por quase uma hora, mas o que eu podia fazer? Alguma coisa naquela foto sem camisa com uma garrafa de cerveja na mão era atraente demais pra eu não cutucar de volta, Não sei se era o dentinho por cima dos outros, os pneuzinhos ou apenas seu brilho oleosidade na testa, alguma coisa nele me lembrava a época em que contente feliz com estrelinhas açucaradas pulando no dentro do coração eu cantava e dançava sensualmente músicas da Shakira imaginando ele sentado em minha cama assistindo minhas performances lembrando que minha sensualidade se iguala a sensualidade de uma tartaruga. Essa lembrança me incentivou a dar Oi, e quando ele respondeu meu mundo preto e branco ganhou as cores do arco-íris e algumas camadas de glitter, eu tive de me segurar para não sair dançando waka waka no meio da sala…

 

Nem mesmo seus erros ortográficos estavam me irritando e olha que um ‘mim’ no lugar do ‘eu’ é motivo mais do que suficiente pra eu desejar que alguém seja atropelado por um trem. Eu estava apaixonada açucarada boba e feliz até que  “Lembra da Talita?” –Lembra da Talita?.. Lembra da Talita?.. Lembra da Talita?…

Tem como esquecer da Talita? Talita era o amor do meu amor quando eu ainda amava ele deduzi isso quando vi ele atrás dela na fila do lanche, porque ele foi justa atrás dela afinal? Claro que era amor!, então resumidamente ela era alguém em quem eu joguei tanta praga que me espanta ela estar viva, linda, loura, e linda, e loura, e linda… Nesse momento o alienígena no meu útero acordou, e minha pele começou a ficar quente, eu estava quase pronta pra me jogar no chão em posição fetal quando lembrei que aquele rapazinho precisava de uma resposta. A cada milissegundo que eu olhava pra foto do perfil dele ele ficava mais feio, ridículo, bobo, merecedor de uma morte lenta de dolorosa...  Os erros ortográficos começaram a doer no meu coração, e as borboletas no eu estômago foram crescendo até se tornarem rinocerontes raivosos. Eu, decididamente, detestava, aquele, cara.

 “Sim, eu lembro da Talita, só não consigo me lembrar porque motivo eu comecei a falar com você, porque não temos nada, NADA, N-A-D-A! pra falar um com o outro, e eu vou te bloquear nos próximos cinco segundos, espero que você tenha uma vida feliz e depois disso um caminhão passe por cima de você, mil beijos ;***” foi a resposta que eu digitei e apaguei.

Escrevi :“Lembro sim. Viu, preciso sair agora, foi legal conversar com você, até outro dia! Beijos ;****” enviei, e coloquei ele na minha lista negra.  Porque é assim que eu funciono, não é porque estamos brigados que ele tem o direito de saber disso, ou de saber porquê eu o odeio Perceba que qualquer, palavra, qualquer nome e qualquer vírgula mal colocada pode fazer amor eterno se tornar ódio mortal.

Prometi pra mim mesma que não falaria com nenhum cara antes dos meus hormônios voltarem ao normal, foi quando TANÃN! “O cara nada atraente por quem você era apaixonada ano passado te marcou em um comentário: “Lembraaaa?””

“Como esquecer?????” UHASUHAUHAHS :D” – eu respondi… Por motivos ocultos, me obriguei a dar ‘oi’ no chat, alguma coisa naquela foto com camiseta de time e mascara do Batman estava sedutora demais para ser ignorada quem pensaria em uma combinação tão estupenda, afinal?… Talvez fosse  as manchas amareladas nos dentes causadas por cigarro, ou talvez aquele olho direito encarando o lado oposto do esquerdo… Seja lá o que for, estava irresistível. Alguma coisa naquela foto me lembrava da época em que eu sensualmente apaixonada açucarada com estrelinhas brilhantes pulando no meu coração dançava  Criminal da Britney bitch e dublava com direito a linguinha de cobra em todas as letras possíveis, imaginando ele sentado na minha cama admirando minha sensualidade sensual, me imaginando A BANDIDA! Nós seríamos na minha cabeça Bonnie and Clyde, apesar do único crime que aquele ‘bandidão’ cometeu foi não se apaixonar loucamente pela diva exuberante que eu sou mentira.

Amores de infância

Eu estava lembrando do início da minha complicada vida amorosa, quantos problemas emocionais uma garota de sete anos pode ter? Independente do número, eu tive todos. Quem pensa que amor de criança é bonitinho, que é segurar mãozinha e dividir os doces na hora do recreio, com certeza não me conheceu ainda.

 Começando pela segunda ou terceira, ou quarta série, onde minha fantasia de amor era acidentalmente me jogar cair da janela da sala onde eu estudava e meu lindo e amado coleguinha de olhos esbugalhados e dentes cavalares estivesse lá embaixo, de braços abertos, pronto para me salvar.  Em todos os textos e desenhos com tema livre, tinha alguma garotinha eu se jogando de alguma janela, penhasco, topo de araucária… Porém nunca tinha o garotinho/príncipe-encantado/boy-magia/bofe-dos-sonhos, pois eu costumava pensar que se eu colocasse qualquer vírgula sobre ele, ele descobriria que eu o amava e me odiaria para sempre (ainda  acho que se alguma pessoa-super-secreta descobrir que eu a amo, fugirá para um chalé em Macaé) . E apesar de todas as minhas indiretas sobre ‘Vou me jogar da janela, me salve’, ele nunca percebeu ou me queria morta e nunca foi para baixo da janela me salvar. Tudo o que eu consegui com as minhas estranhas declarações de amor, foi uma ida de meus pais na escola e um carinho extra da professora que tinha medo das minhas tendências suicidas.

Tendências  suicidas que se tornaram homicidas quando, na quarta série, eu assassinava via lápis de escrever todas as senhoritas que encostavam no meu boy magia. Tudo estava muito bem até a senhorita a encostar nele ser a minha querida professora qual desenhei enforcada na primeira folha do caderno. Eu podia dizer que não era ela, se eu não tivesse desenhado uma flecha seguida de ‘professora’ seguida de ‘ida à coordenação da escola’ seguida de ‘bilhete na agenda’ seguida de ‘garotinha maluca, não chego mais perto dela’ etc, etc, etc … O que me leva à paixão menos macabra de todas porém, igualmente miserável meu primeiro beijo…. Tanãnãn, smack, fim. Sim, não tem nada interessante/legal nesse relacionamento. Mas ele transformou meus sonhos de me jogar de lugares altos e enforcar pessoas em sonhos mais comuns como ‘beijar pessoas’, foi quando eu me tornei uma menina normal, mentira.

Foi quando eu comecei a perseguir um garotinho que eu chamava carinhosamente de ‘Fofuxo’ por todos os cantos da escola, e nenhuma das minhas amigas me disse “queridinha, ele não olha pra você porque está apaixonado, ele olha pra você porque está morrendo de medo”. Eu achava lindos seus cabelos voando quando ele brincava de pega-pega no recreio, se ele estava na cantina eu ia pra cantina, se ele estava no pátio eu ia para o pátio, se ele ia no banheiro eu esperava na porta, se ele se escondia eu o encontrava, e tudo isso sem trocar uma palavra, apenas eu cantando nossa música com minha voz encantadoramente desafinada e meu olhar de ‘um dia vou te trancar no meu baú e te deixar lá pra sempre e sempre’… Entre borrachas e apontadores, mora o meu grande amor…

O que me leva ao ‘Vampirão’  sempre encontro apelidos ridículos para os meus amores, mais um perseguido que recentemente não me aceitou no facebook, mas eu não o culpo, eu era assustadora ainda sou. Eu tenho uma sobrancelha que deu errado e faz parecer que estou sempre a ponto de perfurar a jugular de algum desavisado usando uma caneta bic, naquela época eu já usava ‘esse estilo’ de sobrancelha. Diferente do  ‘Fofuxo’, esse nem se dava ao trabalho de se esconder de mim, só se dava ao trabalho de se sentar de costas para mim, o que me fez erroneamente pensar que ele me aceitaria no facebook (??????). Desta vez eu conseguia ser ainda mais estranha, porque eu tinha uma ‘amiga-mais-que-grudada’ e ficávamos mais que grudadas encarando o menino, chamando ele de vampirão, cantando, dançando e fazendo coisas estranhas. Menino que nunca saia no sol, não tinha amigos, era branco como a neve e mais bonito do que tudo, o que me faz pensar que talvez, só talvez, ele nem tenha existido, era só coisa da minha cabeça, mas coisas da minha cabeça não podem recusar minha amizade no facebook perceba que eu ainda estou chateada. Eu fui tão assustadora que ele só estudou 15 dias na minha escola Yay \o/ A lenda diz que ele também saiu da cidade Yay! \o/.

Foi quando eu comecei a gostar de pessoas impossíveis como se as quatro opções anteriores tivessem sido bem possíveis, bastava ter namorada (ou namorado), gostar de homens, morar na China, me olhar com desprezo, ou ser o vocalista lindo, divo, andrógino, famoso e rico de uma banda alemã, chamado Bill Kaulitz risos eternos.Levando em conta que me apaixonei por ele antes de saber que ele era homem.

Não bastava ser uma fã maluca apaixonada que espancava todos os coleguinhas (e familiares) que chamavam ele de gay, ter uma parede cheia de pôsteres, saber cantar todas as músicas em todas as versões (inglês/alemão/remixada/acústica), desenhá-lo em todas as carteiras da escola, passar os dias pesquisando sobre sua vida e ficar pobre comprando CDs…  Eu também tinha que namorá-lo em um universo paralelo, contar todas as minhas ‘peripécias’ de universo paralelo para a minha melhor amiga e ainda ter discussões gritadas com um ser que só era visível pra mim, na volta da escola pra casa. Não bastava ter um namorado imaginário, eu também tinha que criar uma fama de esquizofrênica pra afastar qualquer boy real da minha vida.

Mas infelizmente ele fez 20 anos, depois 21, depois 22, depois 23, e ficou ‘não-andrógino’, perdendo minha admiração, amor e fanatismo. Ele ainda está chorando por isso no meu ‘universo paralelo’.

O fim desse amor me levou a gostar de um ‘ser’ do mundo real  que era totalmente oposto as minhas expectativas, não era bonito, não era magro, não se vestia bem, não era da cidade, não era rico, e também não era homem ops!… E em toda vez que brigávamos ele ela ameaçava se bater contra a parede. Esse foi um dos meus romances mais turbulentos.  Mas depois de lembrar dos meus amores de infância,  também senti uma leve vontade de me jogar contra alguma parede de cabeça.

É a vida.

C’est La Vie!

Com um arquivo Word aberto há pelo menos meia hora, encarando uma linda ‘folha virtual branca’ e comendo alguns pedaços da minha própria boca, eu percebi que não sou uma pessoa criativa, não percebi, lembrei.

Lembrei das minhas queridas e amadas aulas de desenvolvimento de produto, onde eu cruzava os dedos com tanta força, desejando que o trabalho fosse em grupo, que eles grudavam um no outro e eu não conseguia descruza-los depois. Toda vez que estava no horário ‘Desenvolvimento de produto’, eu fazia questão de colocar meus tênis e jaqueta da sorte (que por sinal, davam azar). 

Desta vez não posso cruzar os dedos, preciso digitar, não posso colocar meu tênis ou jaqueta da sorte, porque já estou me sentindo bastante mal usando roupas decentes. Então resolvi fazer um tumblr de crônicas, pois não tenho capacidade de montar um blog, e acabei de ver que também não tenho capacidade para escrever crônicas. Mas tenho chocolate.

Pensei em escrever sobre as catástrofes do dia-a-dia, mas quantas catástrofes pode ter o dia de alguém que só acorda pra comer e depois que dorme sonha comida? É pós-páscoa, que tipo de problema pode existir quando todo o mundo está açucarado, doce, achocolatado, pintado com coelhos fofos e pessoas sorridentes? 

Esse tipo de problema: 

  1.  Não sei escrever crônicas e daí? Eu tenho chocolate.
  2. Meus coleguinhas já  postaram seus blogs e daí? Eu tenho chocolate.
  3.  Ainda não escrevi nada decente e daí? Eu tenho chocolate.
  4.  Os blogs deles ficaram bons e daí? Eu tenho chocolate
  5. Tive de entrar no google pra ver a diferença entre ‘decente’ e ‘descente’ e daí? Eu tenho chocolate
  6. O exemplo cinco é irrelevante e daí? Eu tenho chocolate.
  7. Todos os exemplos são irrelevantes MAS E DAÍ? Pelo menos eu tenho chocolate.

E agora além de chocolate tenho crateras onde deveria estar meu lábio, tremedeira e um pouco de vontade de chorar.

E agora, ao invés de escrever uma crônica, estou escrevendo um ‘diário virtual’.

E agora estou muito chateada.

E agora você fica com pena de mim e me abraça telepaticamente.

E agora eu continuo a historinha da minha vida:

Eu pensei em escrever as catástrofes pelas quais passei na festa do município, pensei em escrever sobre meu coelho que pensa ser um cachorro, pensei em reclamar sobre minha irmã. Pensei em escrever sobre tantos assuntos que resolvi escrever sobre um assunto tão constrangedor, mas tão constrangedor, que tive uma crise existencial entre o ‘colar na caixa de texto’ e o ‘publicar’, então você nunca saber qual era o tão constrangedor assunto, se não fosse isso, nesse momento você teria estourado seu útero de tanto rir, e se você não tem um útero, você iria rir tanto que iria brotar um útero dentro de você, só pra explodir depois.

Mas você não vai rir, porque eu sou má, porque eu não sou engraçada,  porque não vou postar aquele texto (e porque eu não sou engraçada (e porque eu sou má)).

C’est La Vie !